domingo, 1 de Novembro de 2009

poesia dos corpos



Dispo-me de tudo e da razão

mesmo no fingir subtil

a que me obrigas,

latejam todos os gestos

nos sorrisos ruidosos do corpo,

quando os meus seios roçam o teu peito.

De alma fico nua...

no aperto dos teus abraços

e no prazer crescente e ignóbil,

quando, a tua boca me foge,

em sussurros vernáculos

salivando nos lóbulos,

os beijos quentes que nos damos.

Inquietante corrente, galgando todas as margens,

no perfeito movimento do teu corpo

eroticamente sobre o meu,

descobrindo as fontes

lambidas no perfume de vénus,

enquanto...

a pele pálida da madrugada

vagarosamente se muta crisálida!

sábado, 17 de Outubro de 2009

poema de sal


Nasço

na raiz translúcida,

na seiva e na sombra,

na folha branca de espuma

me desfaço...,

e na sal-gema

do choro e do grito,

no silêncio que inflama,

nessa alva cama...

faço-te poema!


(imagem:zea jara)

sábado, 3 de Outubro de 2009

os meus (teus) passos



Cobre-me um véu
feito de fios de paixão

e nos meus pés nús,
alonga-se o passo,

carreiro, ou mar
chão, ou no luar,

os teus passos
são guia,
quando me fecho
num verso...
que dizes de nostalgia!

(imagem: Elisabete da´Silva)

domingo, 20 de Setembro de 2009


Para que as asas

se afoitem no voo,

é preciso soprar

todas as cores...

e não desistir do vento!


dedico.te Duarte
(imagem:autor desconhecido)

sábado, 12 de Setembro de 2009

o lugar do olhar

Num olhar
de manto quente
na branda madrugada
onde sempre...
renasce
a dança
da terna alvorada...
eu me deito eterna
nesse leito
e jazo ávida
desse olhar...
que me trespassa
e rouba a força
de resistir!
(imagem: Teresa Robalo)

domingo, 30 de Agosto de 2009

outra vez



Quero outra vez
marcados no meu corpo
os desenhos da força
com que me possuis,
esculpidos de negro
como infinito breu,
sentidos de dentro
infundos de um azul
que me lembra o céu!
Quero outra vez
balbuciar magias
odes obscenas
suaves melodias
e ter-te entre despojos de amor,
mil prisões de abraços
num suspiro sal e lânguido,
no meu ouvido
como piar de gaivota
Parindo o mar.
Também eu em ti sou gaivota,
de beijos e vendavais...
poisada na bonança
Sempre que és...o meu cais!
(Imagem: rubens cavalcanti silva)

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

ecos



Outrora o sonho voava

e tranquilamente poisava

nas mãos de quem o sonhava

agora o sonho não voa

simplesmente ecoa

no corpo do teu gemido

extenuado e bramido

no deleite das nossas bocas

E o meu ventre suado

Do cavalgar tresloucado

Faz do sonho a minha cama

Onde o teu corpo inflama

Na dança das minhas mãos!

(imagem: Fadul)

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

nosso encanto...




Se te encanta
os enfeites do meu cabelo
são fios de ouro ou malmequeres
que te dou

Encanto meu
A linha dos teus lábios
Filigranas esculpidas em chama
Que inflama ao toque dos meus

Cedo-te o extasio desse encanto
Na perenidade dos nossos corpos nus
Uno, sem género
Ou anjos selvagens
Canibais da paixão!
(imagem: conceição ramos)

sábado, 25 de Julho de 2009

nao sei se te disse...


Não sei se te disse
da dilecção…
da fortaleza do teu ombro
quando me desmaia o medo e o soluço

Não sei se te disse
da cumplicidade...
nos revezes em voo rasante
que a vida teima em forjar
e que só no teu afago
sou capaz de suportar

Não sei se te disse
da sagacidade do meu peito
quando te guarda

Não sei se te disse
que um dia…
não me vais encontrar
porque ambígua será a hora de nós

Ainda nada te disse…
porque o meu corpo grita
tudo o que me cala a voz!

(imagem: kim molinero)



sábado, 18 de Julho de 2009



receio as máscaras que me inventam no rosto,
quero-o descoberto para sentir o vento...!

_____________________________________

No dia 25 de Julho, às 19.30 h, no Café In (Av. Brasília, Pavilhão Nascente nº 311 em Lisboa, sessão de lançamento de "Entre o Sono e o Sonho" - Antologia de Poesia Comtemporânea, volume II
Uma obra do Portal de Lisboa com edição da Chiado Editora

CONVIDO-TE!

sábado, 11 de Julho de 2009

longe


Estava tão perto a tua mão
O teu afago, a pele, o beijo
A enormidade do desejo
Mas com a ilusão matei
Não, não eras tu
Inventei…!
Inventei uma pele colada à minha
Um cheiro, uma brisa que vinha
Inventei-te!
O silêncio demorado
A rasgar os dias que pariam saudade
E tu vinhas, com as mãos cheias de vontade
Alagando o meu corpo, como se fosses rio
Agora, a reminiscência do tão perto
Que se aquietou tão longe
Mas inventei-te…!
(imagem: diamantino silva)

sábado, 4 de Julho de 2009

mágica cor



Nego
a chama apagada
o pássaro sem asa
o cais sem barco
nego
o indivisível
a metamorfose
nego
o ninho sem ovo
o céu sem azul
Nego
que o amor
não seja
a mágica cor
e a ténue dor

tu...!

sábado, 27 de Junho de 2009


Se tu inventasses

uma cor ou um sol

que se entranhasse

no âmago da escuridão

eu...por dentro de ti

seria o vento

se tu me soprasses!

sábado, 20 de Junho de 2009

Um tempo


Anseio-te colado a mim
no escorrer da seiva
das tuas melosas pétalas
navegantes

Querer-te no corpo
e na agitação do cansaço
do tempo tardio
da hora ingrata

Viver a ventura
do nosso abraço
descalço, caminhando no beijo

anseio beber-te...

Sonho no arranque da tua alma
colocada dentro de mim

Quero pintar-te
no meu regaço e ...ter-te!

sábado, 13 de Junho de 2009

ler-te...


E se lesse?

Se o teu olhar

se abrisse

como mar remoto

abrindo alas

em tempos épicos?

Eu haveria de ler

a poesia

que erradias...!
(imagem: rodrigo matos silva)

sábado, 6 de Junho de 2009

desvario...

No frenético aroma de paixão exaltada

Capitulei no desejo


como se um coreto musicasse cada compasso


da batida estupra no meu corpo
.

Deste-te na hora que te perdeste, e eu


lambi a tua boca e o teu ventre de espuma


embriagada pelo negro do chão que me deitou


e me rasgou a seda que me cobria.


Gemi em cada açoite ardente, de dor e de prazer


desenhando o teu deleite na lua mansa que caía


E quando quase a madrugada apareceu


e o fôlego se extinguiu no beijo da manhã


guardei na minha pele o sonho,


que em outro dia te darei!



(imagem: guilherme de faria)

sexta-feira, 29 de Maio de 2009


Olha
como danço
com as papoilas
de pés molhados
na maré cheia...


olha
este meu ar
de vento
e de encanto
porque
em ti
consigo
sentir o mar!


(imagem: Karen Kilimnik)


sábado, 23 de Maio de 2009


Sem te tocar, onde há vida?
Que deleite, se não fores?
Que língua, sem o teu beijo?
Onde o lugar que me possa ver
Sem o sereno dizer da tua boca!
(imagem: Paula)

sábado, 16 de Maio de 2009

coincidências...

(rodrigo matos silva)

A coincidência das tuas mãos
no adeus
é hoje o afago expandido no meu rosto
A coincidência das tuas mãos
remotas num decalque inóspito
são hoje as mãos que sofregamente
me abreviam os seios
E a exasperada raiva mastigada
nos meus lábios
É hoje a tenuidade com que rodeias
O meu corpo
e me fecundas!

sábado, 9 de Maio de 2009



Miragem que me desperta
Do ser “eu”
Metamorfose
Que me arrasta
Para o infinito do céu
E eu…
Saciada da minha sede
Julgando seres tu
A minha fonte!

sábado, 2 de Maio de 2009

a mesma parte


Escarlate o gozo
Púrpura a sedução
E esse mar fogoso a minha sombra
Que da cor violeta me adormece.
Destino-me lua seduzindo o sol
É assim que amo, assim te pertenço
Despida, insolente, tua!
Sou a outra parte do estio
Aquele que queima, inflama
E em labareda te consome
E tu, a parte etérea do universo
Aquela que cega, aturde,
E vertiginosamente me faz perdida!



(imagem: Chagal)

domingo, 26 de Abril de 2009

Leve e tão...breve


Dança comigo
na música que me canta
extasia o meu rosto no teu
e dança…
Dança no desejo de morder o beijo
em cada instante de ternura
Faz-me leve e tão breve,
quanto o orgasmo dos teus olhos
me sentem mulher dentro de ti
Dança na carne quente, suada
dos compassos dilacerantes
que se fundem nesta dança.
E deste sentir perto o manto cálido
Que me reveste eroticamente
de passos fálicos e obscenos
eu danço continuamente em teus abraços
atordoando os dias e as noites
em cantatas de dança e seda
que me prostram na mágica cadência
do recomeço…!

sábado, 18 de Abril de 2009

serás...


Dou-te o mar

E com ele...

Dou-te o luar

E quando nascer a lua

Dou-te a maré

Do vento, nua

E assim serás

Num olhar…

Se fores capaz

O (a)mar…!



imagem:Mari Vilar

sábado, 11 de Abril de 2009

o meu reino


O céu caiu no teu rosto
Deixando um rasto de azul no teu olhar
Azul índigo…
Transbordante de ser mar
Nesse azul imutável,
adoço-me na tua pele
pecadora de aroma quente
E assim fico, ardendo…
lambuzando-me no teu mel.
No balbuciar perverso das palavras
condeno-me à luxúria de ser deusa
num corpo que é meu reino
onde te transgrido, excedo-te
para além dos mundos...
Porque inextinguível
é a noite que nos faz!

sábado, 4 de Abril de 2009

só, no meu corpo!

Hoje derramei os meus olhos
na lua branca
Tranquei a porta da sedução
e fiquei nua do teu calor.
Porque te escondeste
do meu corpo
e tiraste da minha boca
o gosto do teu suor?
Percorro os meus seios
com dedos de silêncio
e possuo-me com a raiva
que entras dentro de mim.
Nesse deleite de ausência,
sinto o teu beijo molhado
marcando de fogo
todos os cantos que me incendeiam
Dispo-me na luz que me excita
e reinvento-te,
lânguida...
e passiva de espera
Porque em vez de ti…
hoje sou eu que me beijo!
imagem (alexandre klevan)

sábado, 28 de Março de 2009

a tua chama...

(laura fergunson)

Deita o teu amor na minha cama
Espreguiça-te no sol que já ardeu
Nesta noite onde só a lua (e eu)
sabe o prazer eréctil da tua chama

Deita o teu beijo na minha boca
Quente e sôfrega de luar
Toca as tuas mãos no meu olhar
Deixa que o teu corpo me pense louca

O teu prazer extenuo que entre
Nessa orgíaca madrugada
Penetre fundo como onda alucinada
E deite a tua seiva no meu ventre

sábado, 21 de Março de 2009

água doce


A água de sal do meu corpo quando te amo

É o teu rio lavado de espuma

Corrente de miosótis e amarilis

As tuas mãos de abelha beija-flor

Rebuçados de carmim e mel

Onde a minha boca desespera

Em gemidos e laivos de ti!

sábado, 14 de Março de 2009

mutuamente...


Para ti
A minha cor púrpura da vida, deleite de te ter longínquo ou não, o teu toque

De ti
O raiar das estranhas noites onde as sílabas que os meus lábios desenham, rubram no espelho o vácuo da tua imagem

Para ti
Os meus seios de camélias amarelas, e a trova do meu corpo nu

De ti
Rasgo de vontade que te conheço, de segurar os meus cabelos e arrastá-los até onde o meu rosto se possa deitar

Para ti
A génese do amor mais profeta, na linguagem libertina do desejo e da entrega do teu olhar vencido

De ti
Os afectos obscenos que ondeiam a minha libido e o teu sorriso narcísico de perdão, quando me lanças na culpa, fazendo de mim pérfida mas sempre amante

Para ti
Não cesso o sonho de alarmos o cosmos de mãos dadas

De ti
A rendição, sem condição, para que te sorva no ímpeto da madrugada desvirginando o meu ventre

Para ti
O estremecer das palavras que as nossas bocas emudecem!


sábado, 7 de Março de 2009

alucinadamente

No meu lugar pinga o sangue
em dilúvio do meu delírio
mil palavras lanças, alucinadas
em alfabeto arábico
recortado em pó de areia.
Vem…
Alcança o meu corpo
Sequestrado…
Preso no estio do deserto
quando a miragem da tua sombra
se perdeu de mim e me cegou de luz
Resgata-me…
E com o teu corpo em fúria
Cavalga comigo nas dunas…
Até que se esgote o êxtase

do horizonte...!


(imagem:Gary Kaemmer)

sábado, 28 de Fevereiro de 2009

eras tu...






Lembro...

do fulgor dos meus olhos

quando era maré...

e impetuosamente ficava à espera

que o sol se espelhasse em mim...

e nesse espraiar poético

eras tu amálgama de cor

fantasia da terra

ardor...fulgor

mãos de paixão

em gotas gemidas

do teu...

sabor!




sábado, 21 de Fevereiro de 2009

secreta melodia

(Paula)

Compus com os meus dedos um laço de amar
…para no teu peito entrelaçar

Escrevi com o meu sangue um poema de vaidade
…para chorar se vier a saudade

Plantei uma semente de nós dois
…para depois

Fazer despontar o desejo
…da minha boca no teu beijo

Guardei numa caixinha de música o teu sorriso
…para contemplar quando preciso

Pintei num arco-íris de papel, vocábulos da palavra amor
…para na tua pele tatuar a minha cor

Porque no compasso dos meus gestos
…dança a vontade de te ter inteiro

Quero valsar nossos corpos nessa louca harmonia
e explodir nas mãos do mundo
…a nossa secreta melodia!

sábado, 14 de Fevereiro de 2009

(in)verso

Despreza-me
açoita-me com terna raiva
o que o teu corpo sente
e esgota-te
no silencio que inventas
onde riscas o tempo
que se quer
de pele, de beijo e de pecado
Apaga as palavras que te excitam
e que eroticamente
nos levam ao orgasmo da sedução
Nega a minha boca que grita o teu amor
E a tua que grita o meu desejo
Nega tudo…
descobre uma razão
Ate que infinda
Seja a tua verdade...
a minha prisão!

sábado, 7 de Fevereiro de 2009

no toque das tuas mãos

(paula)

Esculpo-me em amor granítico
corpo iluminado nos teus braços
finjo-me de pedra
em esboço inacabado

Lapidando as arestas sinuosas
esculpo-me no perfeito
incessantemente procurado
para na tua libido me deixar tocar

Retoco em bruto
a ambiciosa escultura
do que me invento

Na inspiração do Belo
nas minhas mãos esfíngicas
faço-me mulher
no reverso
do que és tu...!

Agradeço a Pin Gente http://pin-gente.blogspot.com/ o carinho na atribuição do selo ofereço-o a todos os meus amigos sobreviventes ao romantismo que visitam o Tempo Agreste. É vosso!

sábado, 31 de Janeiro de 2009

serenamente


Compasso
que extravaso
na doce melodia
do marulhar das algas,
num dia…
em que o sol
se lembrou de mim
e tocou
eternas valsas!
Nas marés soltas,
viajantes
confrontámos adamastores
e no conforto do mar manso
...amámo-nos…!

sábado, 24 de Janeiro de 2009

breve madrugada...


Tão breve a madrugada

em que tu e eu

depois de nada…

fomos ciclone no apogeu

breve madrugada de pássaros de Inverno

onde os sentidos…

arderam em braseira de penas

confesso que tão breve me perdi

nessa hora de pele e de bocados de céu

onde as nossas línguas se deram

em mar de fogo

em tão breve madrugada…!

sábado, 17 de Janeiro de 2009

raiz...

Desfolhei cada pétala do teu corpo
cada dobra, cada sulco
e nele assim desabrochei
Na seda dos teus beijos
flor me tornei
de caule forte, assomando a tua raiz
e assim fiquei…flor
sombreada na tua languidez
onde alucinado me levaste à insânia.
E eu….
flor nascida do teu amor
enterneci na terra que me plantaste
Estirpe do teu corpo
Queria eu ser sempre assim
Flor de lis, miosótis ou jasmim
para perpetuar no teu canteiro
a brisa de mim.
E quando, a terra que és em corpo
sedenta ficasse…
eu buscaria a mais diminuta gota
do meu caule
para num êxtase de sofreguidão
Perdurarmos juntos
Eu, flor nascida de ti
E tu, a terra que me alimenta!

sábado, 10 de Janeiro de 2009

sorriso


Preciso da tua boca...

Para poder dizer que ainda vivo

E beber o cansaço do meu corpo

quando incerteza…

Preciso da tua boca...

Para sentir o suor da minha face

Nos beijos da medida do teu pranto.

Dela sai o sussurro da minha voz

Que é o grito do meu canto

Preciso da tua boca...

Para no cais, o meu medo afogar

E nela sorrir até…

que a noite adormeça nos teus lábios

sábado, 3 de Janeiro de 2009

Veloz o tempo


Na fragrância das minhas mãos
voa campestre… o teu cheiro!
veloz no tempo que se aquieta
escondido…
faz temer a descoberta
e o perfume do prazer.
Num cair de tarde,
onde odores de mato silvestre
fazem dos teus rurais lugares…
a fragrância nas minhas mãos.
E assim…
vai ficando memória
de senti-lo campestre…o teu cheiro,
que me confunde
invadindo a minha pele!

sábado, 27 de Dezembro de 2008

eu...


Serei sempre poema

Enquanto um verso

Rasgar as minhas veias

Dilacerar os dedos

E num nó sufocante

Me fizer soltar

A alma!



sábado, 20 de Dezembro de 2008

...


tapetes de cetim


no âmago


do teu caminho


colocarei


e como Fénix


renascerás


no enleio


de um desejo


que pressinto…!

quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

folhas...

(van gohg)

Solta de nada no velho banco
Despido, corroído de intempéries e desgosto
Solitário…faz-me companhia
Aconchega-me entre o verde dos seus braços
E o silêncio de que padece
a solidão transparece
Silencio que saltita em folhas secas
cor de fogo, vindas de um lado qualquer
Rabisco pensamentos…
Que se enleiam nas folhas
E gozam na aragem fria
o prazer do vento em fugazes carícias
naquele banco…
Resigno-me ao deleite
De rabiscar pensamentos,
De balancear o estar e o querer
Sentada, com as folhas secas
Perdidas no meu colo
Rabisco a vida!

sábado, 13 de Dezembro de 2008


Desarma a minha paz


A liberdade…


Rasga a minha dor


Ver-me assim aprisionada


Em fogo incandescente


Da tua lava...


E elevar-te a


A anjo azul


Pairando


Em redentora aurora...

Liberta-me...!

terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

olhos de água...




Enternece como te despes assim…
Tanto que alcanço no fundo dos teus olhos!
Pode ser retórica, lugar comum
“Os olhos são o espelho da alma”
certa que esses teus olhos
não são espelhos!
são a tua alma exposta…!
Leio nos teus olhos…
como murmurasses ao meu ouvido
palavras que nem preciso ouvir,
Porque ouço nos teus olhos…
o brilho distante da paixão
vivos, de um amor platónico
a tua verdade…
olhos de água e de mágoa
olhos infantis e traquinas
leio tanto nos teus olhos…!
Leio tudo o que disfarçadamente escondes
nos teus olhos… o silencio
do tempo que te consome,
e a minha esperança de os ver florir!
Gémeos os meus olhos, dos teus
olhos que não me enganam
mesmo quando fisicamente distantes
pressinto-os…
e vejo a tua insegurança na mentira
vejo a alegria infantil quando brincas
vejo a raiva, o ciúme, a dança e o sorriso
A adrenalina da aventura
E vejo quando transbordam da tua rara meiguice
Olhos de melodia, batida no coração
quando voas na odisseia dos teus sonhos,
vejo a traição ingénua, o amor solidário
vejo tudo… e tantas vezes não quero!
Não escolhi ler-te assim a alma…
Foi assim desde o primeiro olhar… e tu deixaste!
Quanta similitude nos nossos olhos nús
Porque te conheço tão fundo?
Porque te despes assim?

quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

desejos







se rio fosse

em turbilhão

de gotas e saudade

mergulhava na vaidade

de te mostrar...
que nesse rio
aberto e inquietante

há corais...
de desejo alucinante...!

sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

mesmo que íngreme

Passagem fugaz
que não me destina
com afago de dor
olvidarei...
e sempre
traçarei o trilho
mesmo que íngreme...
e farei dele
tapete de outonais folhas
que serenamente
hei-de caminhar
até às minhas
auroras boreais...!

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

e depois de...

Foi próximo de ser abismo que te calei
quando as tuas mãos arrebatadas,
divagaram pelo meu corpo
e ávidas encontraram as minhas,
toque viril que senti entrelaçado
Fogo ardente…
Vértice dos nossos corpos que se moldaram
uníssonos… despidos de nada!
e…
tão perto de ser abismo
Voltei a calar-te...
no ardor do silencio desnorte
do teu corpo aberto,
onde errante me perdi.
E na tua boca… sôfrega,
por instantes me saciei e morri
e...
pelo desespero de ser fim
porque o abismo está tão próximo
eu tenho medo…!

quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

agora...



Mar imenso...


Concha ferida...


Onde tropeço...


Ora foragida...

domingo, 9 de Novembro de 2008

que te amo


Um dia vou dizer-te...
o quanto eu te amo
Vou me embalar nos teus olhos
e recordar o teu riso…
quando te sufocava
com a intensidade de um beijo
Vou dizer que te amo
Gritar na planície o teu corpo
e aguardar o eco para ouvir
na saudade…
Vou dizer que te amo
e gemer no auge do teu prazer
Não quero apagar os passos
que percorremos lado a lado
mi cerando o depois que eu não quis
Nem o sonho de dias insanos
de amor que nunca tiveram horas
nem as noites brancas
Que nunca amanheceram
Vou dizer que te amo
e apanhar, uma a uma
todas as letras
que caíram do teu nome
Vou amar-me antes de ti
como tu assim me amas
Para em pleno
Poder compensar-te
por toda a ausência …que fui
Um dia vais ouvir me dizer
Que te amo!

sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

espero-te










Na solidão do teu beijo
espero...
Espero que no dia em que sentires que eu valho
Venhas preencher o vazio da tua partida

Espero pelo Outono...
e pela chuva do abraço
E no frio do Inverno
vou esperar…
Espero que a geada das tuas mãos quentes
Me agasalhem o rosto...

Espero que venhas naquela noite
Em que o frio...
há-de fazer do meu corpo fogueira
E a lenha do teu amor… há-de arder

Espero que a Primavera
das folhas e flores quentes
Façam calar a tua boca
quando a colares à minha

Espero a tua entrega
sem móbil onde te possas refugiar
Espero que venhas...
para a nossa aventura de Verão
E espero-te…
na solidão!

domingo, 19 de Outubro de 2008

entardece...



Foi tarde e eu pequena…
Sou pequena quando me inventam
E entardece o que flora em mim
Entardece no descarne
Entardece e eu sou pequena
Entardece a inquietação
Teimoso entardecer que devagarinho…
Mina a luz que encalece
Sou pequena quando me tingem…
De cor de felugem
Que não cola na minha pele
E entardece a boca que não diz
Porque é tarde!

sábado, 11 de Outubro de 2008

riscos invisíveis


Riscos na areia
Ao acaso
Riscos de dentro
Linhas fúteis e inúteis
Recados de areia e espuma
Onde as gaivotas bicam
As sílabas ondulantes
Riscos…
Que o mar apaga
E leva…sem ninguém ler
Só as gaivotas e o mar…as sabem!


sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Fantasia do tempo






É ténue a distância da saudade
Dista de tão pouco até aqui.
Fantasia do tempo
Onde a saudade…
Se esmera em compassos lentos
De silencio,
Faz tinir insolentes os dias
Em que a espera penaliza os sentidos.
Doce amargura de futuro,
Espera valorosa,
Onde o tempo da saudade se esgota
E chega até aqui…!

sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

incondicionalmente...











Mesmo que um dia o céu caia
e o infinito for chama branda que desmaia
ouvirei o teu sussurro no meu ouvido
como de lobo, ouvisse o feroz latido
E no pranto que se esgotar no rio
na lama incrédula de um esteiro esguio
farei nascer nenúfares, que serão ponte
tanto importa se for longe o príncipio do horizonte
Mesmo que o sol se afunde no oceano
e as sereias se ajoelhem de dor a um deus profano
sentirei como meus, os recifes de ciume à deriva
e farei de ti, corrente faminta de maré viva
Ouço a tua voz...
Sinto-te...
Faço-te...!

nascer poema


Fere-me com alma o sentir deste poema
Exalta a dor trazida em sufocantes nós
avalanches de um eu, que não sou...
Poema que quer ser incondicionalmente

Querer absurdo, mania de poema
Solta-se, rouba-me os versos e foragido...
percorre as linhas que se desalinhavam
sofrego, com pressa de ser poema.

E eu, presa entre frageis cordeis de espanto
tremendo é o meu medo, de ser poema!
Mas, nas muralhas onde acoitadas
as palavras me escondem...
Alveja ele, certeiro, a pena que o derrama!


quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

beijo de aroma

Os teus cabelos de calmaria
Tem o cheiro a cor de canela.
A tua pele, ela tem o meu cheiro.
Sorvo-te de paladar alheio...
Podia tocar o céu e fugir...
Mas qual galáctica me aceitaria
depois do pecado?
Podia voar num beijo de aroma
E deslizar rendida...
Mas sempre era tardio o tempo,
Para resgatar do fundo do mar
A nesga de amor que lá naufragou.
Mas resgatar o pecado de um beijo de aroma,
Com cheiro de cor de canela
e estender-me nos teus cabelos de calmaria,
sim...!

quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

muro


Existe, ser feliz
Existe o amor
No meu olhar
Amor cristalino
Nos teus olhos
O meu pranto
No teu encanto
Gritos do meu canto
Canto que me revela
E que me esconde
Num muro recondido
Longe…
Meu toque fogueia
Acende, incendeia
Gelidamente amordaçado!

lavo as mãos

Lavo as minhas mãos
Lavo de orgulho
Como o mar lava de espuma
O casco de um navio
Lavo a áurea que me cerca
Que seca, tão ingenuamente
Resquícios de outra vida
Lavo as minhas mãos daí
E de todos os lugares
Faço eu… outros lugares
Lugares do meu olhar
E de tudo o que não me apraz
Lavo as minhas mãos

deserto

Deserto de palavras
Há muito evaporadas
Traçam no meu peito
Descarne…
Deserto que atravesso
Altiva, dilacerada
Fortificada por castelos
Que não se avistam
Luz de túnel
Murmurado pelo silêncio
Arrastando burburinho
Aumentando assim…
Assim…
A convicção

penas


Tiradas uma a uma
Esquecidas, mutiladas
As penas voam
A ave, não.
Fica estática, despida
Aguardando a primavera
Renovação da cor,
do ser
Para assim, planar num horizonte
Límpido, incessante, infinito
Plenamente...
Serena e viva!

depois de mim

Hoje é mágoa
Mas amanha talvez
O crepúsculo dos teus beijos
Me façam sentir diferente…
Hoje é mágoa
Pelo absurdo da descoberta
Do uso de mim
Profundo delírio
Hoje é mágoa
Porque nunca antes
Nem depois
Os meus olhos cegos viram
Hoje é mágoa
Pelo perdão que te dou
Por tudo o que acalentas
Fosse antes… desvario

segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

esfinge de fogo marcada


Poesia de ter...
Poesia de dar...
Escrita de ver
Marcada no meu olhar
Fita a brancura de sal
Num imenso mar de marfim
Pena de dar teu poema
Escrita de ver constante
Estóica como um amante
Que não sabe ser oculto
Poesia de ter, de te ter
Marcado a ferro de esfinge de fogo
Perpetua o que jamais
Soubeste ter…!

quão longínquo

Quisera ser rochedo
De rocha vulcânica
Ainda incandescente
Para correr nos sulcos
De uma aventura qualquer
Quisera ser planície
De cinza seca
Para o vento bravio
Levar tão longe…
Que fosse longínquo
Aportar esse navio.
Quisera ser mar vermelho
De sangue e de águas quentes
Para correr nas tuas veias
E alcançar-te!

segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

entre dois tempos

As estrelas brilham… ou fingem
Enfeitam o peso em mim
Aliviam-me a mente
Pesa-me mesmo assim!
Queria que fosse diferente
Leio…
Mas não entendo
Não sei onde chego
Inquieto-me…
Penso…
É dualidade
É isso! Descobri
Dualidade
Sem mágoa
Sem maldade!

quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

A certeza que era

Perguntas que voaram
Nos seus longos silêncios
Gestos por decifrar
A construção
A separação
O dar a mão…
Falou o meu sentido
Outrora a sábia certeza
Da prisão

segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Razão

Tosca e torta
Assim caiu do céu
Ingenuamente branca
Gotejando
Pingos de ouro
Que se espraiaram
Na terra seca
Refulgente
E floriu!