28 fevereiro 2009

eras tu...






Lembro...

do fulgor dos meus olhos

quando era maré...

e impetuosamente ficava à espera

que o sol se espelhasse em mim...

e nesse espraiar poético

eras tu amálgama de cor

fantasia da terra

ardor...fulgor

mãos de paixão

em gotas gemidas

do teu...

sabor!




21 fevereiro 2009

secreta melodia

(Paula)

Compus com os meus dedos um laço de amar
…para no teu peito entrelaçar

Escrevi com o meu sangue um poema de vaidade
…para chorar se vier a saudade

Plantei uma semente de nós dois
…para depois

Fazer despontar o desejo
…da minha boca no teu beijo

Guardei numa caixinha de música o teu sorriso
…para contemplar quando preciso

Pintei num arco-íris de papel, vocábulos da palavra amor
…para na tua pele tatuar a minha cor

Porque no compasso dos meus gestos
…dança a vontade de te ter inteiro

Quero valsar nossos corpos nessa louca harmonia
e explodir nas mãos do mundo
…a nossa secreta melodia!

14 fevereiro 2009

(in)verso

Despreza-me
açoita-me com terna raiva
o que o teu corpo sente
e esgota-te
no silencio que inventas
onde riscas o tempo
que se quer
de pele, de beijo e de pecado
Apaga as palavras que te excitam
e que eroticamente
nos levam ao orgasmo da sedução
Nega a minha boca que grita o teu amor
E a tua que grita o meu desejo
Nega tudo…
descobre uma razão
Ate que infinda
Seja a tua verdade...
a minha prisão!

07 fevereiro 2009

no toque das tuas mãos

(paula)

Esculpo-me em amor granítico
corpo iluminado nos teus braços
finjo-me de pedra
em esboço inacabado

Lapidando as arestas sinuosas
esculpo-me no perfeito
incessantemente procurado
para na tua libido me deixar tocar

Retoco em bruto
a ambiciosa escultura
do que me invento

Na inspiração do Belo
nas minhas mãos esfíngicas
faço-me mulher
no reverso
do que és tu...!

Agradeço a Pin Gente http://pin-gente.blogspot.com/ o carinho na atribuição do selo ofereço-o a todos os meus amigos sobreviventes ao romantismo que visitam o Tempo Agreste. É vosso!

31 janeiro 2009

serenamente


Compasso
que extravaso
na doce melodia
do marulhar das algas,
num dia…
em que o sol
se lembrou de mim
e tocou
eternas valsas!
Nas marés soltas,
viajantes
confrontámos adamastores
e no conforto do mar manso
...amámo-nos…!

24 janeiro 2009

breve madrugada...


Tão breve a madrugada

em que tu e eu

depois de nada…

fomos ciclone no apogeu

breve madrugada de pássaros de Inverno

onde os sentidos…

arderam em braseira de penas

confesso que tão breve me perdi

nessa hora de pele e de bocados de céu

onde as nossas línguas se deram

em mar de fogo

em tão breve madrugada…!

17 janeiro 2009

raiz...

Desfolhei cada pétala do teu corpo
cada dobra, cada sulco
e nele assim desabrochei
Na seda dos teus beijos
flor me tornei
de caule forte, assomando a tua raiz
e assim fiquei…flor
sombreada na tua languidez
onde alucinado me levaste à insânia.
E eu….
flor nascida do teu amor
enterneci na terra que me plantaste
Estirpe do teu corpo
Queria eu ser sempre assim
Flor de lis, miosótis ou jasmim
para perpetuar no teu canteiro
a brisa de mim.
E quando, a terra que és em corpo
sedenta ficasse…
eu buscaria a mais diminuta gota
do meu caule
para num êxtase de sofreguidão
Perdurarmos juntos
Eu, flor nascida de ti
E tu, a terra que me alimenta!

10 janeiro 2009

sorriso


Preciso da tua boca...

Para poder dizer que ainda vivo

E beber o cansaço do meu corpo

quando incerteza…

Preciso da tua boca...

Para sentir o suor da minha face

Nos beijos da medida do teu pranto.

Dela sai o sussurro da minha voz

Que é o grito do meu canto

Preciso da tua boca...

Para no cais, o meu medo afogar

E nela sorrir até…

que a noite adormeça nos teus lábios

03 janeiro 2009

Veloz o tempo


Na fragrância das minhas mãos
voa campestre… o teu cheiro!
veloz no tempo que se aquieta
escondido…
faz temer a descoberta
e o perfume do prazer.
Num cair de tarde,
onde odores de mato silvestre
fazem dos teus rurais lugares…
a fragrância nas minhas mãos.
E assim…
vai ficando memória
de senti-lo campestre…o teu cheiro,
que me confunde
invadindo a minha pele!

27 dezembro 2008

eu...


Serei sempre poema

Enquanto um verso

Rasgar as minhas veias

Dilacerar os dedos

E num nó sufocante

Me fizer soltar

A alma!



20 dezembro 2008

...


tapetes de cetim


no âmago


do teu caminho


colocarei


e como Fénix


renascerás


no enleio


de um desejo


que pressinto…!

17 dezembro 2008

folhas...

(van gohg)

Solta de nada no velho banco
Despido, corroído de intempéries e desgosto
Solitário…faz-me companhia
Aconchega-me entre o verde dos seus braços
E o silêncio de que padece
a solidão transparece
Silencio que saltita em folhas secas
cor de fogo, vindas de um lado qualquer
Rabisco pensamentos…
Que se enleiam nas folhas
E gozam na aragem fria
o prazer do vento em fugazes carícias
naquele banco…
Resigno-me ao deleite
De rabiscar pensamentos,
De balancear o estar e o querer
Sentada, com as folhas secas
Perdidas no meu colo
Rabisco a vida!

13 dezembro 2008


Desarma a minha paz


A liberdade…


Rasga a minha dor


Ver-me assim aprisionada


Em fogo incandescente


Da tua lava...


E elevar-te a


A anjo azul


Pairando


Em redentora aurora...

Liberta-me...!

09 dezembro 2008

olhos de água...




Enternece como te despes assim…
Tanto que alcanço no fundo dos teus olhos!
Pode ser retórica, lugar comum
“Os olhos são o espelho da alma”
certa que esses teus olhos
não são espelhos!
são a tua alma exposta…!
Leio nos teus olhos…
como murmurasses ao meu ouvido
palavras que nem preciso ouvir,
Porque ouço nos teus olhos…
o brilho distante da paixão
vivos, de um amor platónico
a tua verdade…
olhos de água e de mágoa
olhos infantis e traquinas
leio tanto nos teus olhos…!
Leio tudo o que disfarçadamente escondes
nos teus olhos… o silencio
do tempo que te consome,
e a minha esperança de os ver florir!
Gémeos os meus olhos, dos teus
olhos que não me enganam
mesmo quando fisicamente distantes
pressinto-os…
e vejo a tua insegurança na mentira
vejo a alegria infantil quando brincas
vejo a raiva, o ciúme, a dança e o sorriso
A adrenalina da aventura
E vejo quando transbordam da tua rara meiguice
Olhos de melodia, batida no coração
quando voas na odisseia dos teus sonhos,
vejo a traição ingénua, o amor solidário
vejo tudo… e tantas vezes não quero!
Não escolhi ler-te assim a alma…
Foi assim desde o primeiro olhar… e tu deixaste!
Quanta similitude nos nossos olhos nús
Porque te conheço tão fundo?
Porque te despes assim?

04 dezembro 2008

desejos







se rio fosse

em turbilhão

de gotas e saudade

mergulhava na vaidade

de te mostrar...
que nesse rio
aberto e inquietante

há corais...
de desejo alucinante...!

28 novembro 2008

mesmo que íngreme

Passagem fugaz
que não me destina
com afago de dor
olvidarei...
e sempre
traçarei o trilho
mesmo que íngreme...
e farei dele
tapete de outonais folhas
que serenamente
hei-de caminhar
até às minhas
auroras boreais...!

24 novembro 2008

e depois de...

Foi próximo de ser abismo que te calei
quando as tuas mãos arrebatadas,
divagaram pelo meu corpo
e ávidas encontraram as minhas,
toque viril que senti entrelaçado
Fogo ardente…
Vértice dos nossos corpos que se moldaram
uníssonos… despidos de nada!
e…
tão perto de ser abismo
Voltei a calar-te...
no ardor do silencio desnorte
do teu corpo aberto,
onde errante me perdi.
E na tua boca… sôfrega,
por instantes me saciei e morri
e...
pelo desespero de ser fim
porque o abismo está tão próximo
eu tenho medo…!

09 novembro 2008

que te amo


Um dia vou dizer-te...
o quanto eu te amo
Vou me embalar nos teus olhos
e recordar o teu riso…
quando te sufocava
com a intensidade de um beijo
Vou dizer que te amo
Gritar na planície o teu corpo
e aguardar o eco para ouvir
na saudade…
Vou dizer que te amo
e gemer no auge do teu prazer
Não quero apagar os passos
que percorremos lado a lado
mi cerando o depois que eu não quis
Nem o sonho de dias insanos
de amor que nunca tiveram horas
nem as noites brancas
Que nunca amanheceram
Vou dizer que te amo
e apanhar, uma a uma
todas as letras
que caíram do teu nome
Vou amar-me antes de ti
como tu assim me amas
Para em pleno
Poder compensar-te
por toda a ausência …que fui
Um dia vais ouvir me dizer
Que te amo!

31 outubro 2008

espero-te










Na solidão do teu beijo
espero...
Espero que no dia em que sentires que eu valho
Venhas preencher o vazio da tua partida

Espero pelo Outono...
e pela chuva do abraço
E no frio do Inverno
vou esperar…
Espero que a geada das tuas mãos quentes
Me agasalhem o rosto...

Espero que venhas naquela noite
Em que o frio...
há-de fazer do meu corpo fogueira
E a lenha do teu amor… há-de arder

Espero que a Primavera
das folhas e flores quentes
Façam calar a tua boca
quando a colares à minha

Espero a tua entrega
sem móbil onde te possas refugiar
Espero que venhas...
para a nossa aventura de Verão
E espero-te…
na solidão!

19 outubro 2008

entardece...



Foi tarde e eu pequena…
Sou pequena quando me inventam
E entardece o que flora em mim
Entardece no descarne
Entardece e eu sou pequena
Entardece a inquietação
Teimoso entardecer que devagarinho…
Mina a luz que encalece
Sou pequena quando me tingem…
De cor de felugem
Que não cola na minha pele
E entardece a boca que não diz
Porque é tarde!

11 outubro 2008

riscos invisíveis


Riscos na areia
Ao acaso
Riscos de dentro
Linhas fúteis e inúteis
Recados de areia e espuma
Onde as gaivotas bicam
As sílabas ondulantes
Riscos…
Que o mar apaga
E leva…sem ninguém ler
Só as gaivotas e o mar…as sabem!


10 outubro 2008

Fantasia do tempo






É ténue a distância da saudade
Dista de tão pouco até aqui.
Fantasia do tempo
Onde a saudade…
Se esmera em compassos lentos
De silencio,
Faz tinir insolentes os dias
Em que a espera penaliza os sentidos.
Doce amargura de futuro,
Espera valorosa,
Onde o tempo da saudade se esgota
E chega até aqui…!

03 outubro 2008

incondicionalmente...











Mesmo que um dia o céu caia
e o infinito for chama branda que desmaia
ouvirei o teu sussurro no meu ouvido
como de lobo, ouvisse o feroz latido
E no pranto que se esgotar no rio
na lama incrédula de um esteiro esguio
farei nascer nenúfares, que serão ponte
tanto importa se for longe o príncipio do horizonte
Mesmo que o sol se afunde no oceano
e as sereias se ajoelhem de dor a um deus profano
sentirei como meus, os recifes de ciume à deriva
e farei de ti, corrente faminta de maré viva
Ouço a tua voz...
Sinto-te...
Faço-te...!

nascer poema


Fere-me com alma o sentir deste poema
Exalta a dor trazida em sufocantes nós
avalanches de um eu, que não sou...
Poema que quer ser incondicionalmente

Querer absurdo, mania de poema
Solta-se, rouba-me os versos e foragido...
percorre as linhas que se desalinhavam
sofrego, com pressa de ser poema.

E eu, presa entre frageis cordeis de espanto
tremendo é o meu medo, de ser poema!
Mas, nas muralhas onde acoitadas
as palavras me escondem...
Alveja ele, certeiro, a pena que o derrama!


02 outubro 2008

beijo de aroma

Os teus cabelos de calmaria
Tem o cheiro a cor de canela.
A tua pele, ela tem o meu cheiro.
Sorvo-te de paladar alheio...
Podia tocar o céu e fugir...
Mas qual galáctica me aceitaria
depois do pecado?
Podia voar num beijo de aroma
E deslizar rendida...
Mas sempre era tardio o tempo,
Para resgatar do fundo do mar
A nesga de amor que lá naufragou.
Mas resgatar o pecado de um beijo de aroma,
Com cheiro de cor de canela
e estender-me nos teus cabelos de calmaria,
sim...!

17 setembro 2008

muro


Existe, ser feliz
Existe o amor
No meu olhar
Amor cristalino
Nos teus olhos
O meu pranto
No teu encanto
Gritos do meu canto
Canto que me revela
E que me esconde
Num muro recondido
Longe…
Meu toque fogueia
Acende, incendeia
Gelidamente amordaçado!

lavo as mãos

Lavo as minhas mãos
Lavo de orgulho
Como o mar lava de espuma
O casco de um navio
Lavo a áurea que me cerca
Que seca, tão ingenuamente
Resquícios de outra vida
Lavo as minhas mãos daí
E de todos os lugares
Faço eu… outros lugares
Lugares do meu olhar
E de tudo o que não me apraz
Lavo as minhas mãos

deserto

Deserto de palavras
Há muito evaporadas
Traçam no meu peito
Descarne…
Deserto que atravesso
Altiva, dilacerada
Fortificada por castelos
Que não se avistam
Luz de túnel
Murmurado pelo silêncio
Arrastando burburinho
Aumentando assim…
Assim…
A convicção

penas


Tiradas uma a uma
Esquecidas, mutiladas
As penas voam
A ave, não.
Fica estática, despida
Aguardando a primavera
Renovação da cor,
do ser
Para assim, planar num horizonte
Límpido, incessante, infinito
Plenamente...
Serena e viva!

depois de mim

Hoje é mágoa
Mas amanha talvez
O crepúsculo dos teus beijos
Me façam sentir diferente…
Hoje é mágoa
Pelo absurdo da descoberta
Do uso de mim
Profundo delírio
Hoje é mágoa
Porque nunca antes
Nem depois
Os meus olhos cegos viram
Hoje é mágoa
Pelo perdão que te dou
Por tudo o que acalentas
Fosse antes… desvario

25 agosto 2008

esfinge de fogo marcada


Poesia de ter...
Poesia de dar...
Escrita de ver
Marcada no meu olhar
Fita a brancura de sal
Num imenso mar de marfim
Pena de dar teu poema
Escrita de ver constante
Estóica como um amante
Que não sabe ser oculto
Poesia de ter, de te ter
Marcado a ferro de esfinge de fogo
Perpetua o que jamais
Soubeste ter…!

quão longínquo

Quisera ser rochedo
De rocha vulcânica
Ainda incandescente
Para correr nos sulcos
De uma aventura qualquer
Quisera ser planície
De cinza seca
Para o vento bravio
Levar tão longe…
Que fosse longínquo
Aportar esse navio.
Quisera ser mar vermelho
De sangue e de águas quentes
Para correr nas tuas veias
E alcançar-te!

18 agosto 2008

entre dois tempos

As estrelas brilham… ou fingem
Enfeitam o peso em mim
Aliviam-me a mente
Pesa-me mesmo assim!
Queria que fosse diferente
Leio…
Mas não entendo
Não sei onde chego
Inquieto-me…
Penso…
É dualidade
É isso! Descobri
Dualidade
Sem mágoa
Sem maldade!

13 agosto 2008

A certeza que era

Perguntas que voaram
Nos seus longos silêncios
Gestos por decifrar
A construção
A separação
O dar a mão…
Falou o meu sentido
Outrora a sábia certeza
Da prisão

11 agosto 2008

Razão

Tosca e torta
Assim caiu do céu
Ingenuamente branca
Gotejando
Pingos de ouro
Que se espraiaram
Na terra seca
Refulgente
E floriu!